Flavors of Entanglement - Visto e Ouvido por um fã das antigas
Na quarta vez o CD engata!
Uma amiga me alertou de que este novo CD da Alanis seria uma “preciosidade”. O tom havia sido irônico, claro. Pq todo fã da alanis aprendeu a ser irônico, mesmo quando o que ela cantava era puro sadismo.
“Ai, meu! O CD é cheio de barulhinho eletrônico,” ela disse. E eu me assustei. Será que vem por aí mais uma trilha sonora de Nintendo 16 bits? Pq Alanis cagou feio em várias faixas de So Called Chaos e Under Rug Swept exatamente por ter abusado deste recurso…
Enfim, ontem cheguei em casa e um amigo tinha mandado um e-mail dizendo que o CD tinha vazado. Esse é o único vazamento que a gente fica feliz em ser avisado. Mas não foi o caso, pelo menos não de começo…
Aliás, no começo eu até tinha simpatizado com o CD. Ele começa com Citizen Of The Planet, que é uma música um tanto obscura, tipo B-Side de Supposed Former Infatuation Junkie (até agora o meu favorito dela). Uns sons meio orientais, trilha de voz meio suja. Os desdobramentos de voz… Bem legal. Pensei, “Estou gostando deste CD”.
Daí veio Underneath, a segunda. Tá, eu já tinha ouvido esta. Aliás, ouvido e assistido pq a primeira vez que a escutei foi no you tube, com o clipe tosco da canção (e um monte de gente pulando numa piscina). Mas ok! A música é boazinha. Segue a clássica fórmula de canções da Alanis.
Pq eu já cheguei a pensar que a Alanis tinha um super pro-tools na casa dela, onde ela digita umas palavras chaves e o computador já imprime uma letra baseada num dicionário de inglês arcaico qualquer, com palavras super difíceis. Assim ela já tem o que cantar e depois de gravada a voz, só colocar tudo na mesma estrutura de sempre: começo devagar, dá um gás, entra refrão, volta a ser devagar, dá um gás de novo, refrão com algumas frases diferentes, paradinha da bateria, dá um gás e refrãeo repetindo até a música acabar. Já reparou que toda música dela é assim?
Mas fã gosta. Pior, fã se acostuma. E é por isso que este CD me assustou. De uns tempos para cá todas as cantoras quiseram inovar e colocaram coisas eletrônicas e bem dançantes em seus CDs. Isso fazia sentido com Britney Spears, Kylie Minogue, Madonna… Pq elas nunca se venderam como roqueira, portanto não combina (muito) com a Alanis.
Enfim, fui ouvindo. StraitJacket foi a música que me fez dizer “Caraca, que CD estranho”. Depois disso várias piadas no MSN com a minha amiga. Alanis havia avacalhado. E assim seguiu. Versions Of Violência tb trazia umas batidas estranhas e uma voz meio soprada/assombrada de filme de terror. Manja rock sujo eletrônico do Marilyn Manson? Agora tira um pouco da brutalidade e da qualidade? É isso. Letra legal, com uma música meio suja, pesada…. Mas não combina com Alanis!!!
Ok, daria para entender o CD se ele continuasse nesse ritmo. Mas daí vem Not As We, que foge total do eletrônico e fica apenas num clássico “Alanis: voz + piano - That Particular Time; Simple Together”. Quebrou total. Deixasse a música como bônus, ou como última do CD… Ela é bonitinha, mas ficou fora do contexto. Ou não, pq depois vem a lentinha In Praise Of The Vulnerable Man que faz você pensar se não eram as primeiras faixas do CD que estavam fora do contexto…
Moratorium fez com que me perguntasse pq ela não deixou a versão remix para um CD single, ao invés de lançá-la deste jeito no CD? Parece música daquela Fernanda Porto ou alguma coisa do tipo… Ah, uma brasileira aí que mistura letras “legais” com barulhinhos de computador.
Tourch é bonitinha, uma canção de coração partido, talvez? Não prestei atenção na letra, mas parece que Alanis chora nela o tempo inteiro. É fácil gostar de músicas assim. Poderia ter entrado em So Called Chaos, parece bastante com as deste CD.
Ah, entre as que gostei também está Giggling Again For No Reason, que tem batidinha eletrônica, mas parece com Tourch por ser calminha e bonitinha. Na verdade depois de Tourch todas as músicas são bem assim: fofinhas e popzinhas… Ousadia da Alanis? Sei lá. Acho que foi loucura mesmo. Nada combina.
Escutando todo o álbum você percebe que não há um contexto. Algumas músicas conseguem ser bem parecidas, enquanto outras formam um total contraste. Se procura uma qualidade, lhe digo: este CD deve ser ótimo para a esteira da academia!!!
É um CD pop como ela nunca fez, mas ao que parece ela sempre quis tentar. Acho que ela cansou de ser a roqueira que não emplacava nenhuma música. Mas será que ela vai conseguir isso no pop, rivalizando com Madonna, entre outras. Vai ter que rebolar!
O álbum não esconde a decadência da cantora, mas não faz desta depressão musical algo muito mais profundo. Boa parte das canções são baseadas em sonoridade eletrônica, com batidas que te fazem gostar da música não pelo refrão chiclete, mas pela sonoridade.
Talvez seja pura preguiça. Talvez seja lapso de criatividade… Para mim, Alanis já se mostrou tão mais original na criação de álbuns que depois de anos ela pode apenas estar desgastada. Mesmo sem ter apresentado uma quantidade considerável de seu trabalho. Uma pena.
Este é apenas um álbum ruim, fraco… Visto que desta vez a cantora não teve nem capacidade de ser péssima.
Se você quiser gostar, fã da Alanis das antigas, desencana da fase roqueira dela - se é que ela já foi isso algum dia. Vale a pena ouvir e tirar suas próprias conclusões. Quem sabe você não gosta? Na quarta vez eu gostei… E agora não paro de ouvir.
As letras continuam ótimas! Você até pode usar isso como desculpa…
4 comments Maio 23, 2008





