Archive for Maio 2nd, 2006
Terapia do amor
Vou contar que meu caso é sério. Que quando assistia a esse filme eu pensava: “Este filme vai ser um dos meus prediletos”… Mas o filme foi indo… E indo… E indo… E eu descobri que não acabava mais. Então eu pensei: “Este é só mais um filme que eu gostei”. Vou contar também que a Uma Thurman mexe comigo e que a Meryl Stripe é Foda com F maiúsculo. Mas o que estou mesmo com vontade de contar é que quando assistia o filme eu reparei que o meu caso é grave/gravíssimo.
O filme lembrou quando eu fazia terapia, e o quanto era bom isso. E o quanto eu fugi disso por ficar assustado. Tudo pq num belo dia, deitadinho naquele sofá que tem nome diferente – e que é super desconfortável, eu contava minhas idas e vindas dessa vida so boring e minha terapêuta começou a chorar. E eu me senti o derrotado dos derrotados. Acho que pra fazer um terapêuta chorar a situação deve ser bem grave. E eles deviam ser proibidos de se comover com a derrota alheia. Eu estava acostumado a só eu chorar. A perder minutos preciosos (e caros) tentando engolir o choro para conseguir contar alguma coisa, q não saia – mas era muito difícil não chorar ali, remoendo coisas. Pq o nó na garganta era nó cego. E nada passava por ele, a não ser a vontade de chorar… Mas ela era só minha. Só eu tinha direito a isso, como num acordo nunca dito, mas assinado por ambos. Eu achei que era assim que funcionava. Era eu quem pagava, era ela quem ouvia. Ela não tinha o direito de participar daquilo comigo – não daquela maneira, pq, afinal, ela não tinha nem que ter sentimentos. Foda-se que o que eu dizia era triste ou pesado. Era problema meu. Ela só tinha que me explicar onde eu estava descaminhando.
Acho que aquela cena só me fez reconhecer (mais ainda) que certas coisas não devem ser contadas para ninguém. Que certas mágoas, tristezas, medos e sentimentos devem morrer cegos, surdos e mudos, enterrados na gente. E então eu parei de ir. Era mais fácil pra mim. Era mais econômico. Era até menos doloroso, pq não era mais necessário enfrentar o nó que aparece só de pensar em todas aquelas coisas que me desagradam e me despreparam. Pq é fácil se fingir de forte. Quer a receita? É só se vestir de engraçado, de portador do bom humor. Aprender várias piadas e ter a facilidade de soltar elas na hora certa. As pessoas gostam de gente assim. Na verdade as pessoas gostam da gente assim! De gente que faz graça com tudo. De gente que parece ver graça em tudo.
P.s.: Desculpem os erros. E a Ana estava comigo vendo esse filme! Não disse que era um filme inspirador???
1 comment Maio 2, 2006




